30/05/07
XXVI Aniversário
Que venham outros tantos...
29/05/07
fotos do fogo | entre fogos
«Queria era ser um camponês», dizia o André nas situações tensas. Disparate: o André sabe lá o que é um camponês... Mas quando as chatices apertavam dizia que queria ser um camponês. Os camponeses têm chatices todos os dias e nunca lhes dá para quererem ser intelectuais... acho eu... (Mariana)Passaram pelo meu nome e eu era um número – menos que a folha seca de um herbário. Colheram-no com mãos de zelo e gelo; escreveram-no, sem mágoa, num postal. Convite a que morresse... mas por quê? (Soldado)
Estava ali, naquele cais de embarque. E tu do outro lado da grade. Eu vestida de cerimónia - vestida de celebração... E tu de farda, de calça vincada e de casaco marcado à cintura. E uma grade a separar-nos - depois um mar imenso entre nós. Que nos separou para sempre. (Noiva)
E por vezes as noites duram meses. E por vezes os meses oceanos. E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos. E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos. E por vezes fingimos que lembramos.
22/05/07
Fotos do fogo - 2ª reunião de elenco
Vai realizar-se, na próxima sexta-feira 25 de Maio, pelas 22h00, a segunda reunião de elenco "à volta" da próxima produção TPN: Fotos do fogo. Estão todos convidados - amigos, conhecidos e curiosos - a aparecer no Auditório de Alfornelos.
Até lá, e para quem quiser conhecer um pouco mais este novo projecto teatral, fica o texto de apresentação que serviu de mote à 1ª reunião de elenco:
No primeiro ano do novo quarto-de-século de existência, novo desafio. Agora, retornar a um passado recente para uns, e a uma história a descobrir por outros. A temática do Estado Novo, das lutas estudantis, da repressão social e cultural, não esquecendo a Guerra Colonial que, ainda hoje, deixa marcas no nosso país.
Uma vez mais, com a produção deste espectáculo, volta o TPN a “falar” de memórias. Acima de tudo, de sonhos que se esfumaram no tempo; de ideais que tinham tanta força, mas que agora parecem apenas ter significado como história que se repete em tertúlias saudosistas. O falar de um passado recente, de uma luta que (para muitos) se perdeu é falar das vitórias da esperança, que agora se assumem como meias-vitórias do comodismo. Tanto foi reivindicado para, agora, nos bastar tão pouco. Perdemos a inocência em terras distantes, e vendemo-la aqui tão perto. Acima de tudo, é falar hoje de tudo o que uma Revolução “sonhou”, e trinta-anos depois [já] desistimos de perseguir e conseguir. De tanques nas ruas, de flores de comemoração... de um passado que se esfumou em memórias de cinema, mas pouco sentidas. É falar das memórias de um ideal perdido. Na esperança de o encontrar. Assim, partindo de um texto central de um dramaturgo sobejamente conhecido, será levado a cabo um trabalho teatral que tentará servir de ponte entre duas gerações.
Aliás, foi esse o ponto de partida. Numa altura em que o TPN renova mais uma vez o seu elenco, será interessante discutir com estes jovens actores e actrizes uma das mais marcantes épocas da história do nosso país. Aliás, já antes, com o espectáculo Ao Atiçar do Lume, de Joaquim Murale (estreado em 1982), o Teatro Passagem de Nível tinha abordado uma história ligada ao período do Estado Novo e à ditadura que durante quase cinquenta anos marcou Portugal. Será interessante, e é esse outro dos eixos do espectáculo, verificar como os anseios dessa época são, com o devido enquadramento temporal, os anseios de agora: mudar o Mundo, ou, pelo menos, mudar o nosso mundo – sentirmos que podemos fazer a diferença.
Finalmente, mas não menos importante, é também trazer para o rol de autores que o TPN já levou à cena, um dos maiores vultos da dramaturgia contemporânea portuguesa: Mário de Carvalho. O seu texto O Sentido da Epopeia será o fio condutor e narrativo do processo de construção deste espectáculo. A par deste texto, outros textos (todos portugueses) serão escolhidos, constituindo o “produto final” uma evidência da qualidade da dramaturgia portuguesa.
10/05/07
Pedido de propostas - Outubro e Novembro
O Teatro Passagem de Nível está a aceitar propostas para acolhimento de espectáculos artísticos no Auditório de Alfornelos - teatro, cinema, dança, música, poesia, etc - para os meses de Outubro e Novembro de 2007.
O Auditório de Alfornelos localiza-se perto do C. C. Colombo, e a 5 minutos do Metro (linha azul). Está equipado com uma sala-estúdio com capacidade para 74 pessoas, bem como um bar-foyer, com capacidade para exposições ou outro tipo de actividades.
Para mais informações, contactar o TPN, através do telefone 965 445 495, o email
08/05/07
fotos do fogo | fogo amigo
por joão garcia barreto
04/05/07
Maio - 26 anos de actividades
No próximo dia 30 de Maio comemora-se o 26º aniversário do Teatro Passagem de Nível. Venha ao Auditório de Alfornelos, durante todo o mês de Maio, comemorar connosco.
12 Maio
sábado, 22h00
MUNDO BONECO
Acção Teatral Artimanha
18 Maio
sexta, 22h00
O HOMEM DA GRAVATA DE LÃ
Teatro Independente de Loures
26 Maio
sábado, 22h00
ESPECTÁCULO MÚSICA POP. PORTUGUESA
Contraponto
entrada gratuita
30 Maio
quarta, 22h00
SESSÃO SOLENE e CONVÍVIO
comemoração dos 26 anos do TPN
03/05/07
fotos do fogo | aviso de mobilização
Passaram pelo meu nome e eu era um número - menos que a folha seca de um herbário. Colheram-no com mãos de zelo e gelo; escreveram-no, sem mágoa, num postal. Convite a que morresse... mas por quê? Convite a que matasse... mas por quem? Ó vago amanuense, ó apressado e súbito verdugo, que te ocultas numa rubrica rápida, ilegível, que dirás tu do meu e de outros nomes, que dirás tu de mim e de outros mais, no Dia do Juízo já tão próximo - que dirás tu de nós, se nem tremeu, na rápida rubrica, a tua mão? Bem sei que a tua mão só executa; mas para além do ombro a ti pertences. Bem puderas chorar, ter hesitado... - A mancha de uma lágrima bastara para dar um sentido a esta morte a que a tua indiferença nos convoca!
